Representação do brasão descrito na Carta de Armas

RODRIGO ANTÓNIO DA COSTA PEREIRA

Carta de Brasão de Armas

 

 

«BRAZAM /  DARMAS /  DE /  Rodrigo António /  da Costa Pereira /  morador na Uilla dos /  Arcos de Ualdeues.

/  ANNO DE 1733 //  1 //   (folha 1 v.º e 2 em branco; na folha 2 v.º uma iluminura representando um ramo de flores e um pássaro) DOM JOAM /  Por graça de Deos, Rey de Portugal, /  e dos Algarues, da quem, e dalem, mar /  em Africa, Senhor de Guine, e da cõ-/ quista, nauegação, do comercio da /  Ethiopia, Arabia, Percia, e India: &c /  A quantos esta minha carta virem, faço saber que /  Rodrigo Antonio da Costa Pereira, morador na Uilla dos /  Arcos de Ualdeues, me fes petição, em como elle descendia, e vinha da geração, e linhagem dos Cos-/ tas, Pereiras, Abreus, e Soares, e suas armas Ihe-/ pertençião de direito; e pedindome por merçe que /  para a memoria de seus antecessores se não perder /  e elle gozar, e uzar da honra das armas, que pellos /  merecimentos de seus serviços, ganharão, e lhe fo-/ rão dadas, e asim dos previllegios, honras graças, /  e merçes, que por direito e por bem dellas lhe per-/ tençem, lhe mandace dar minha carta das ditas ar-/ mas que estauão registadas em os liuros dos re-/ gistos das armas dos nobres, e fidalgos de meus /  Reynos que tem Portugal meu principal Rey /  darmas. A qual petição vista por mim, mandei /  sobre ella tirar inquerição de testemunhas pello /  Doutor Manoel da Costa de Amorim, do meu /  dezembargo, e meu Dezembargador em esta mi-/ nha Corte, e casa da supplicação, Corregedor do /  Ciuel em ella, e por Caetano Joseph da Moura / escriuão do dito Juizo, pella quaes fui serto que /  elle proçede e vem da geração, e linhagem, dos /  ditos Costas, Pereiras, Abreus, e Soares, como /  filho legitimo de Luis Manoel de Gouvea //  3 //  da Costa Pereyra,  e de D. Josepha Catherina An-/ tonia de Abreu Soares, moradores na Uilla dos /  Arcos de Ualdeues, Neto pela  parte materna /  do Capitão Agostinho da Costa Barreto, e de /  sua mulher D. llena Gomes de Abreu. Bisneto de Gaspar Cerqueira Barboza, e de sua mu-/ lher Anna de Brito Barboza, digo, de Lira; Ter-/ ceiro neto de Leão Soares Falcão, e de sua mu-/ lher Anna de Brito Barboza, moradores que fo-/ rão na dita Uilla. Quarto neto de Diogo /  Soares Falcão, e de sua mulher Maria de Ab/ reu de Zuniga, moradores que forão na sua /  quinta do Paso, da freguesia de Moreira, ter-/  mo de Monção, Quinto neto de Pedro Fal-/ cão Marinho, e de sua mulher Catherina So-/ ares de Lanços, moradores que forão em a- / Uilla de Monção, e que pellos referidos avos /  maternos são legitimos descendentes dos /  Abreus, Soares, Falcões, Marinhos desta /  dita Provincia, e descendentes legitimos por /  parte do dito seu pai, e avos maternos dos Cos-/ tas, Pereyras /  da dita provincia, por ser neto /  de D. Isabel da Costa Pereyra, Bisneto de D. /  Maria Pimenta da Costa Bernardes. Terçei-/ ro neto, de Miguel Pereyra Barreto. Quar-/ to neto, de Diogo Pereyra da Costa. Quinto /  ~ neto, de Bento da Costa Calheiros. Sexto ne-/ to, de Pascoal da Costa Taveira. Setimo ne-/ to, de Izabel Gonçalues da Costa. Outauo ne-/ to, de Maria Lopes da Costa. Nono neto, de //  3 v.o //  (folha com a iluminura do brasão de armas) //  4 //  de Ruy Lopes da Costa, e que pellos referidos /  avos paternos,  do dito seu pai, são legitimos /  descendentes, dos Costas, Pereyras, Abreus, /  e Soares, e que de direito as suas armas lhe pertençem. As quaes lhe mandei dar em esta /  minha carta com seu Brazão, Elmo, e Tim- bre, como são devisadas, e asim como fi-le /, e verdadeiramente se acharão devisadas, /  e registadas, em os liuros dos registos do di-/ to Portugal meu Rey darmas. A saber. - /  Hum escudo esquartellado,  no primeiro /  quartel, as armas dos Costas, em campo ver-/  melho seis costas de prata, em duas palas, : fir-/ madas no escudo, no segundo as dos Perey-/ ras, em campo vermelho huma Crus de prata /  floreteada, e vazia do campo, no terçeiro, as /  dos Abreus, em campo vermelho, sinco co-/ tos de azas de ouro cortadas l em sangue, pos-/ tas em sautor, no quarto as dos Soares, em /  campo vermelho huma torre de prata lavrada de preto. Elmo de prata aberto, guarnecido /  de ouro. Paquife de vermelho realçado de ou-/ ro, e de prata. Timbre, o dos Costas, seis co-/ stas de prata em duas palas; e por diferença /  huma brica de ouro, com huma crecente preta. /  O qual escudo armas, e sinaes posa trazer e /  traga o dito Rodrigo Antonio da Costa Pereira, assim /  como as troçerão e dellas uzarão seus ante-/ cessores, em todos os lugares de honra, em /  que os ditos seus antecessores, e os nobres //  4 v. ° //  e antigos fidalgos sempre as custumarão trazer /  em tempo dos muy esclarecidos Reys meus /  antecessores, e com ellas posa entrar em bata-/ lhas, campos, rectos, escaramuças, e exerci- / tar com ellas todos os outros actos licitos /  da guerra, e da paz, e asim as posa trazer em /  seus aneis, sinetes, e devizas, e as por em seus /  firmaes, e as por em suas cazas, e edifficios, e /  deixalas sobre sua propria sepultura, e finalmen-/ te, se servir, honrar, gozar, e aproveitar dellas /  em todo, e por todo, como a. sua nobreza cõuem. /  Com o que quero e me pras, que haía elle, e to-/ dos seus descendentes, todas as honras, pre-/ villegios, liberdades, graças, merçes, izen-/ ções e franquezas, que hão, e deuem hauer os /  fidalgos nobres, e de antiga linhagem, e co-/ mo sempre de todo uzarão, e gozarão seus /  antecessores; Porem mando a todos meus /  Corregedores e Dezembargadores, Juizes, Justiças, Alcaides, e em especial aos meus /  Reys darmas Arautos, e Pasavantes, e a qua-/ esquer outros officiaes, e pesoas, a quem / esta minha carta for mostrada, e o conheci-/ mento della pertencer, que em todo lho cum-/prão, e guardem, e fação comprir, e guardar, / como nella he contheudo, sem duvida, nem / embargo algum que em ella lhe seia posto, / porque asim he minha merçe. EI Rey / noso senhor o mandou por Manoel Perey-/ ra da Silva seu Rey darmas Portugal. // 5 // Frey Joseph da Crus da ordem de são Paulo, / Refformador do cartorio da Nobreza do / Reyno, por especial Provizão do dito senhor / a fes, em Lisboa Occidental, aos doze di-/ as do mes de Junho do anno do nascimento / de noso Senhor Jezu Christo, de mil e seteçen-/tos e trinta e tres, e vai sobscrita por Antonio / Francisco e Souza, escriuão da nobreza, nes-/ tes Reynos e Senhorios de Portugal, e suas / Conquistas. E eu Antonio Francisco e Sou-/za o sobscrevi / P. Rey darmas

P.a // 5 v.º // Fica registado este Brazão em / o L.o 8.° do registo dos Brazóes da nobreza / de Portugal a fs 198; Lx.a / Occidental aos 10 dias do mes de / Julho do anno do nascimento de nos o / Senhor Jezu Chrito de 1733. / Ant.º Fran.co de Souza // 6 // /».

 

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Nota: Vd.   Segismundo PINTO. Cartas de Brasões de Annas de dois irmãos de Arcos de Valdevez, Associação Cultural Galaico-Minhota,  1.° Colóquio Galaico-Minhoto, /  Vol., Ponte de Lima. 1/ 5 de Setembro de 1981,  págs. 500-504 e reproduzida por Armando Barreiros MALHEIRO DA SILVA;  Luís Pimenta de Castro DAMÁSIO e Luís NOVAIS, Casas Amoriadas do Concelho dos Arcos de Valdevez, Vol. I.,  2.a Edição, Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez,  2000,  págs. 199-201. Esta Carta é referida em Brasões Inéditos - suplemento,  págs. 37-38; Nuno BORREGO, Cartas de Brasão de Armas-Colectânea,  Ed. Guarda-Mór, Lisboa,  2003,  pag. 379.

 

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